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ARCHIVO PHONOGRAPHICO

Se eu tivesse de escolher só uma música de cada um dos meus discos

ARCHIVO PHONOGRAPHICO

Se eu tivesse de escolher só uma música de cada um dos meus discos

#21 - SEI DE UM RIO (2008)

Camane-SempreDeMim-2008.jpg

 

Apesar de ser todo bom, o Sempre de Mim (2008), o dramatismo do canto de Camané, a grande produção de José Mário Branco (o melhor produtor português de todos os tempos, cuja marca é muito nítida...), as ricas colaborações & a recriação de fados tradicionais -- posso lá escolher outro senão este «Sei de um Rio», do revolucionário Alain Oulman sobre poema de Pedro Homem de Melo, a dupla de «Povo que Lavas no Rio»?...

 

#20 - THE DULL FLAME OF DESIRE (2007)

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Do álbum Volta (2007), não hesito um segundo em escolher este «The Dull Flame Of Desire». poema de Fiódor Tiútchev (1803-1873), um aristocrata russo com uma agradável inclinação para as mulheres extraordinariamente belas, também elas nobres, porém alemãs.
A amargura do desejo, nunca inteiramente alcançado ou satisfeito, numa prostração a que o soberbo arranjo dos metais empresta um solene dramatismo; a desesperada melancolia das vozes de Björk e Antony Hegarty, que a percussão exacerba.
 

 

#19 - GOODBYE (1959)

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Gravado ao vivo em Itália, com músicos locais, em 1959, Chet Baker canta em algumas faixas, o que fazia como tocava trompete, smoothly, Mas a minha escolha vai para o standard de Gordon Jenkins, «Goodbye», uma peça melancólica a condizer com a fachada do Chet, aqui com um portentoso arranjo orquestral.

 

 

#18 - THE PARTY'S OVER (1994)

TheAlbionBand-Captured-1994.jpg

 

"Só uma música", não por tê-la escolhido (apesar de muito boa), mas porque quem gere o património da Albion Band, grupo já desfeito pela, pelo menos, terceira vez, retira as músicas do YouTube. Captured (1994), porque se trata de registos não definitivos. Como entretanto tinham acabado, alguém, provavelmente o fundador, Ashley Hutchings, resolveu lançar o material assim mesmo, e ainda bem.

 

 

#17 - JELLY JELLY (1973)

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The Allman Brothers Band, o southern rock por antonomásia. Escolha difícil, e além disso nem todas estão disponíveis no YouTube. Vou para este «Jelly Jelly», um blues de Billy Eckstine e Earl Hines, superiormente cantado e tocado (órgão) por Greg Allman, a guitarra inconformada de Dickey Betts e um solo bestial de Chuck Leavell no piano. Yeah...

 

 

#16 - CANTIGA DO FOGO E DA GUERRA (1971)

JoseMarioBranco-Mudan-seOsTemposMudam-seAsVontades

Um disco histórico, uma daquelas obras que nos define como comunidade cultural. O resto é conversa fiada. Gravado no exílio em Paris, saído em 1971, na agonia do salazarismo sem Salazar, proibido no país (ah ah ah!, a pré-história...), aparece às escusas com olho camoniano. A emigração, a Guerra Colonial, a pobreza endémica, o marialvismo polltrão, a charlatanice social e política, o sebastianismo imobilista,  a censura castradora e ofensiva, a repressão policial a um povo ignaro, o desafio final num verso do Trinca Fortes, por isso rajada de metralha naquela apagada e vil bisonhice -- oh, plano de ajustamento & metas do défice mais a puta que os pariu.
Difícil a escolha de uma música neste Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades? Para mim, em por isso. Tomar balanço em toada quase medieval para o Angola (e o resto) não é nossa, com  a «Cantiga do Fogo e da Guerra». A letra, o poema -- pois les beaux esprits -- é de Sérgio Godinho.
 

 

#15 - HOUSE LIGHTS (1979)

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Chuck Berry é uma lenda viva, e talvez o nome mais importante dos primórdios do rock'n'roll, nos anos cinquenta. A sua influência nos músicos ingleses da década seguinte foi imensa. Deste Rock It, o último disco que gravou (1979), após muita hesitação escolho «House Lights», não apenas pela Gibson hiperactiva (ouve-se e lembra-se logo o seu duck walk), como pela prestação incrível do piano de Johnnie Johnson, outro músico lendário (ele é o "Johnnie B. Goode»...), que integra na perfeição o blues e o rock, pai e filho. 

 

 

#14 - Ó VOZ DA MINH'ALMA (2003)

MafaldaArnauth-Encantamento-2003.jpg

 

Na verdade, não seria esta, mas o «Fado Arnauth», que desapareceu do YouTube... Mas este fado de Encantamento (2003) encarna muito bem a personalidade fadista da cantora -- a letra, da sua autoria, é eloquente. O dueto com Mónica Ferraz funciona. Foi com Mafalda Arnauth, até pela carismática presença física (as fotos, em baixo, foram bem escolhidas) que eu despertei para o fado.

 

 

#13 - THE LONE RHINOCEROS (1993)

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Das seis músicas que encontrei no YouTube (faltam cinco deste The Acoustic, de 1993), esta faixa inicial, «The Lone Rhinoceros», impôs-se-me, pela graça e pela melancolia. Notável trabalho da guitarra, a ilustrar a canção. Recordo que Adrian Belew é um excelente guitarrista, cujo trabalho nos King Crimson é reconhecível. O que, como já escrevi, num grupo que tem Robert Fripp como guitarrista principal, não deixa de ser assinalável.